Lindo trecho da crônica Aquelemundoqueperdemos, de Cecília Meireles. O texto faz parte do livro Episódiohumano, que reúne textos da autora publicados no periódico carioca OJornal, nos anos de 1929 e 1930.
Quem ainda tem certa resistência a ler poesia, ou por achar que caiu em desuso ou por se lembrar, meio encabulado, daqueles versos bobos da época da escola, eu receito Paulo Leminski várias vezes ao dia. Ou recito, pelo menos três poeminhas dele, para ficar combinado que poesia é uma brincadeira de ideias e palavras que, a cada leitura, nos toca de uma forma diferente. Leminski (1944-1989) nasceu em Curitiba. Apesar da ascendência polonesa, taí o jeitão dele asiático. Para completar, ele amava os hai-kais, tradicionais poemas japoneses. Erra uma vez nunca cometo o mesmo erro duas vezes já cometo duas três quatro cinco seis até esse erro aprender que só o erro tem vez (do livro La vie en close ) Incenso fosse música isso de querer ser exatamente aquilo que a gente é ainda vai nos levar além (do livro Ais ou menos ) Razão de ser ...
Resolvi reativar meu blog sobre Literatura no dia do aniversário de Clarice Lispector, uma homenagem e uma forma de estar próxima dos deuses das boas palavras. O texto abaixo foi publicado em 16/08/20, no jornal O Dia. A bela ilustração é de Francisco Silva (Kiko). Antecipamos aqui que, em dezembro deste ano, será o centenário de nascimento da encantadora de leitores Clarice Lispector, dona de um rol de admiradores que se renova a cada geração. Ela nos deixou em 1977, mas está bem viva. Às vezes, até se multiplicando: vez por outra, pipocam frases nas redes sociais de outros autores, mas atribuídas a ela. E vira quase uma chancela: 'Se é Clarice, é bom'. Quem já leu (a autêntica), ama. E para quem (ainda) não leu, dê uma chance a essa brasileira nascida na Ucrânia, que passou a infância em Maceió e Recife e se tornou adulta no Rio, onde se aventurou em jornais como cronista e contista e lançou livros de diversos estilos, do romance ao infantil. Pronto! Já não pode dizer que não...
Uma característica desse blog é dar espaço para livros de qualquer época, não só os recém lançados. Então, não estranhem meu Top 3. Um livro não precisa ser considerado clássico ou estar na lista dos mais vendidos para ser citado. Compro, ganho, pego emprestado, descubro e redescubro livros, sem um roteiro. Espero que eles sirvam como sugestão para as leitura de 2021! 3 - O FILHO DE MIL HOMENS , de Valter Hugo Mãe. A obra de 2015 ganhou uma edição linda este ano, pelo selo Biblioteca Azul, da editora Globo, com ilustrações de Agostinho Santos e prefácio do escritor argentino Alberto Manguel. Quem poderia descrever tão bem uma história de esperança e amor de um pescador que vive à beira do mar, senão um navegante português das mais belas palavras, como Hugo Mãe? O solitário Crisóstomo sonha em ser pai; em outros vilarejos, outros personagens também sonham com o preenchimento de algum tipo de amor. Mas têm que lidar com a hipocrisia e egoísmo que se vê em sociedades de qualquer tam...
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