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Mostrando postagens com o rótulo Literatura Brasileira

"Viver ultrapassa qualquer entendimento"

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Resolvi reativar meu blog sobre Literatura no dia do aniversário de Clarice Lispector, uma homenagem e uma forma de estar próxima dos deuses das boas palavras. O texto abaixo foi publicado em 16/08/20, no jornal O Dia. A bela ilustração é de Francisco Silva (Kiko). Antecipamos aqui que, em dezembro deste ano, será o centenário de nascimento da encantadora de leitores Clarice Lispector, dona de um rol de admiradores que se renova a cada geração. Ela nos deixou em 1977, mas está bem viva. Às vezes, até se multiplicando: vez por outra, pipocam frases nas redes sociais de outros autores, mas atribuídas a ela. E vira quase uma chancela: 'Se é Clarice, é bom'. Quem já leu (a autêntica), ama. E para quem (ainda) não leu, dê uma chance a essa brasileira nascida na Ucrânia, que passou a infância em Maceió e Recife e se tornou adulta no Rio, onde se aventurou em jornais como cronista e contista e lançou livros de diversos estilos, do romance ao infantil. Pronto! Já não pode dizer que não...

Ponciá Vicêncio, a tímida e resistente personagem de Conceição Evaristo

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A escritora mineira Conceição Evaristo, que cada vez mais é reconhecida aqui e no exterior pelas suas "escrevivências" (ela está lançando uma edição bilíngue de  Poemas da recordação e outros movimentos na Feira do Livro de Paris), tem um romance delicado, lançado em 2003: Ponciá Vicêncio . Foi meu primeiro contato com a autora, que eu tive o prazer de conhecer em um evento literário. O bate-papo com ela fui do mesmo jeito manso com que escreve. Ponciá é uma personagem que várias mulheres podem se identificar, seja pela tenacidade com que vai enfrentando novos desafios na vida, o calar para manter as forças ou a memória que temos dos familiares e que muitas vezes nos servem como referência. A protagonista, que vem de uma família de mulheres que fazem trabalhos em argila (que rendeu essa capa interessante), acaba decidindo por morar na cidade grande, o que não significa, necessariamente, que o tabuleiro de sua vida dará grandes saltos. No meio disso, há encontros e d...

Jubiabá, do grande mestre

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A primeira obra que li de Jorge Amado foi Jubiabá , um livro já antigo, amarelado, que tinha na minha casa. Mas longe de ser a primeira versão, que aconteceu em 1935. Nem por isso, como até hoje podemos verificar, ficou ultrapassado. Quem ainda não leu, ou tiver o prazer de reler, vai se deparar com assuntos muito atuais, como a organização dos trabalhadores para garantirem melhores condições das suas labutas; os sonhos, muitos não realizados, para se escapar da pobreza; o preconceito racial; e a modificação das pessoas por meio da politização. Jubiabá ganhou, em 2009, uma linda versão em quadrinhos do cartunista Spacca (que eu utilizo aqui para ilustrar o texto que fala, na verdade, de João Balduíno, o protagonista. Jubiabá é o nome do pai de santo e uma espécie de conselheiro do Morro do Capa Preto, em Salvador, onde é criado o menino Baldo. Muito se fala de outro romance de Jorge Amado, Capitães da Areia , como um romance de formação. Mas eu também vejo Jubiabá dessa forma. ...

Para amar poesia, recito e receito Leminski

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Quem ainda tem certa resistência a ler poesia, ou por achar que caiu em desuso ou por se lembrar, meio encabulado, daqueles versos bobos da época da escola, eu receito Paulo Leminski várias vezes ao dia. Ou recito, pelo menos três poeminhas dele, para ficar combinado que poesia é uma brincadeira de ideias e palavras que, a cada leitura, nos toca de uma forma diferente. Leminski (1944-1989) nasceu em Curitiba. Apesar da ascendência polonesa, taí o jeitão dele asiático. Para completar, ele amava os hai-kais, tradicionais poemas japoneses.  Erra uma vez    nunca cometo o mesmo erro duas vezes    já cometo duas três  quatro cinco seis    até esse erro aprender que só o erro tem vez (do livro La vie en close ) Incenso fosse música    isso de querer ser exatamente aquilo    que a gente é ainda vai    nos levar além  (do livro Ais ou menos ) Razão de ser   ...